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Pedro Caramez - B2B LinkedIn Strategy, Trainer and Consultant

Pedro Caramez

B2B LinkedIn Strategy, Trainer and Consultant

Pedro Caramez é consultor, formador e palestrante especializado em LinkedIn, Social Selling e Inteligência Artificial aplicada às organizações. Licenciado em Desporto e mestre em Gestão Desportiva, dedica-se há mais de 18 anos ao desenvolvimento de competências em vendas, recrutamento, comunicação e produtividade digital, apoiando empresas na adoção do LinkedIn e da Inteligência Artificial através de consultoria, programas de capacitação e formação executiva.

1. Para começar, quem é o Pedro Caramez além daquilo que vemos nas redes sociais?

Sou uma pessoa muito curiosa, que gosta de aprender, testar e explicar o que aprende. Essa curiosidade acompanha-me muito antes do LinkedIn e ajuda a perceber o meu percurso como professor, formador, consultor e autor. Fora do trabalho, a corrida tem um lugar importante na minha vida. Preparar e concluir uma maratona ensina-nos bastante sobre disciplina, paciência e gestão do esforço - três coisas que também levo para os projetos profissionais.

Gosto ainda de viajar, ler e conhecer pessoas com experiências diferentes.

Pedro Caramez - B2B LinkedIn Strategy, Trainer and Consultant - Connecting Stories PARTTEAM & OEMKIOSKS

2. Depois de mais de 17 anos dedicado ao LinkedIn e à transformação digital, qual foi o momento em que percebeu que esta plataforma iria mudar definitivamente a forma como empresas e profissionais comunicam?

Aderi ao LinkedIn em 2007, inicialmente ligado à minha atividade académica. Procurava novas formas de ajudar jovens licenciados a entrar no mercado de trabalho. Percebi cedo que a plataforma encurtava distâncias de uma forma pouco habitual: permitia chegar a pessoas, empresas e oportunidades que, até então, pareciam inacessíveis. O momento decisivo não foi uma funcionalidade específica, mas a constatação de que uma pessoa podia construir reputação profissional antes de entrar numa sala ou enviar um currículo.

Em 2009 publiquei o meu primeiro livro sobre LinkedIn. Nessa altura já estava convencido de que a presença profissional online deixaria de ser complementar e passaria a influenciar recrutamento, vendas, comunicação e desenvolvimento de carreira.

3. Ao longo da sua carreira já acompanhou milhares de profissionais e centenas de empresas. Qual é o erro mais frequente que continua a encontrar quando uma empresa quer afirmar a sua presença digital?

O erro mais frequente é começar pelo conteúdo sem definir uma estratégia.Cria-se um perfil, estabelece-se uma frequência de publicação e mede-se o número de seguidores, mas ficam por responder perguntas básicas: com quem queremos falar, pelo que queremos ser reconhecidos e que ação esperamos gerar?

Outro problema é entregar toda a presença digital ao departamento de Marketing. Uma empresa comunica também pelos seus líderes, comerciais, recrutadores, especialistas e restantes colaboradores. Quando não existe coordenação entre página, pessoas e objetivos do negócio, há atividade, mas pouca consequência.

A presença digital precisa de direção, responsabilidades claras, uma linha editorial e métricas ligadas a resultados reais.

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4. O LinkedIn evoluiu muito nos últimos anos. Na sua opinião, qual será a próxima grande transformação da plataforma?

A transformação atual já está a acontecer! A passagem de uma rede onde procuramos informação e pessoas para uma plataforma que nos ajuda a decidir com quem falar, o que aprender e que oportunidade acompanhar.

A inteligência artificial está presente na pesquisa, na criação de conteúdo, no recrutamento, nas vendas e na preparação de reuniões. Isso tem um efeito contraditório: será mais fácil produzir e publicar, mas será mais difícil conquistar atenção e confiança. Por isso, a identidade verificada, a demonstração de experiência e a qualidade das relações ganham peso.

O valor não estará em publicar mais, mas em provar que existe conhecimento, trabalho e uma pessoa credível por detrás do conteúdo.

5. A Inteligência Artificial está a mudar a forma como comunicamos. Considera que a IA veio substituir a criatividade humana ou potenciar aquilo que já somos capazes de fazer?

A IA pode ampliar a nossa capacidade, mas não substitui experiência, critério ou intenção. Ajuda a pesquisar, comparar ideias, organizar informação, criar primeiras versões e adaptar uma mensagem a públicos diferentes. O problema surge quando lhe entregamos também o pensamento!!!

O resultado costuma ser um conteúdo correto, mas indistinto, igual a tantos outros. A criatividade humana envolve contexto, memória, sensibilidade, risco e capacidade de decidir o que não deve ser dito. Uso e ensino IA como parceira de trabalho: acelera algumas etapas e permite explorar mais hipóteses, mas a escolha final, a responsabilidade e a voz continuam a ser humanas.

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6. Muitas empresas procuram visibilidade, mas esquecem-se da credibilidade. Como é que se constrói confiança no mundo digital?

A confiança constrói-se pela repetição de pequenos sinais: cumprir o que se promete, partilhar conhecimento útil, mostrar trabalho realizado, reconhecer limites e responder às pessoas.

Uma marca credível não fala apenas de si nem tenta parecer especialista em todos os assuntos.

Escolhe um território, apresenta provas, mantém coerência ao longo do tempo e trata cada interação com respeito. Também é importante haver correspondência entre o que se comunica e a experiência que o cliente encontra depois. Uma boa publicação pode gerar atenção; a confiança nasce quando perfil, conteúdo, proposta, reunião e entrega contam a mesma história.

7. O conceito de Employee Advocacy tem ganho cada vez mais relevância. Porque acredita que os colaboradores são hoje um dos maiores ativos de comunicação de uma organização?

Porque as pessoas tendem a confiar mais em pessoas do que em mensagens institucionais. Os colaboradores conhecem o trabalho por dentro! Sabem como se resolve um problema, como se atende um cliente, como funciona uma equipa e o que distingue a organização no dia a dia. Quando partilham essa experiência com liberdade e preparação, tornam a comunicação mais concreta e próxima. Isso não significa transformar colaboradores em canais de distribuição nem entregar-lhes textos para copiar. Um bom programa de Employee Advocacy dá formação, referências, ferramentas e segurança, respeitando a voz de cada pessoa.

A empresa beneficia de maior alcance e credibilidade; o colaborador desenvolve reputação, rede e competências.

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8. O que distingue uma marca que apenas publica conteúdo de uma marca que realmente consegue criar relações e comunidade?

Uma marca que publica pensa no calendário!! Uma marca que cria comunidade presta atenção às pessoas que estão do outro lado. Escuta perguntas, responde a comentários, acompanha conversas, reconhece contributos e cria motivos para as pessoas regressarem.

A diferença também se vê depois da publicação! Quem responde, como responde e o que faz com aquilo que aprendeu. Comunidade não é uma audiência grande; é um grupo de pessoas que reconhece valor naquela relação e decide participar nela.

9. O networking continua a ser uma das palavras mais associadas ao LinkedIn. No entanto, muitas pessoas confundem quantidade de contactos com qualidade das relações. Qual é, para si, o verdadeiro significado de fazer networking?

Networking é criar e cuidar de relações profissionais antes de precisar de pedir alguma coisa. Começa por conhecer a pessoa, perceber o seu contexto e encontrar uma razão legítima para manter contacto. Uma rede grande pode aumentar as possibilidades de descoberta, mas um nome numa lista não é uma relação. É preciso conversar, acompanhar, apresentar pessoas, partilhar informação útil e estar disponível quando podemos ajudar.

No LinkedIn, isso implica personalizar abordagens e não tratar cada nova ligação como uma oportunidade imediata de venda. O melhor networking acumula confiança, não contactos.

10. Num mercado cada vez mais digital, como podem as empresas equilibrar tecnologia e proximidade humana?

A tecnologia deve retirar fricção das tarefas repetitivas e dar às pessoas mais tempo para os momentos em que o julgamento, a empatia e a conversa fazem diferença. Pode facilitar uma marcação, responder a uma pergunta simples, organizar informação ou personalizar uma experiência. Mas deve ser fácil chegar a uma pessoa quando a situação é complexa, sensível ou inesperada. O equilíbrio começa por desenhar a experiência a partir das necessidades do cliente, e não a partir da ferramenta disponível. Automatizar um processo confuso apenas torna a confusão mais rápida.

11. Como vê o papel dos quiosques multimédia, displays digitais e soluções de self-service na criação de experiências mais personalizadas e na comunicação entre pessoas, empresas e clientes?

Estas tecnologias podem funcionar como uma ponte entre o espaço físico e a informação digital.

Num hospital, município, loja, hotel, empresa ou evento, um quiosque bem concebido ajuda a orientar, informar, identificar necessidades e dar autonomia ao utilizador.

A personalização pode resultar do idioma, do contexto, da localização, do perfil escolhido ou do histórico autorizado pelo próprio. Na minha opinião, um quiosque não deve existir apenas porque impressiona visualmente. Deve reduzir espera, simplificar uma decisão ou permitir que alguém conclua uma tarefa com menos esforço. Quando isso acontece, a tecnologia melhora a experiência e liberta as equipas para situações que exigem intervenção humana.

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12. Vivemos numa época em que a experiência do utilizador é determinante. Que importância atribui ao facto de a tecnologia ser intuitiva, simples e centrada nas pessoas?

Super decisivo! O utilizador não deve precisar de perceber a tecnologia para conseguir utilizá-la. Deve também considerar acessibilidade, diferentes níveis de literacia digital, limitações visuais ou motoras e vários idiomas. Se o utilizador tem de pedir ajuda para completar uma tarefa básica, o problema raramente está no utilizador.

13. Se tivesse de imaginar um quiosque digital do futuro para potenciar networking profissional ou eventos empresariais, que funcionalidades faria questão de incluir?

Começaria por um sistema de participação voluntária, no qual cada pessoa escolhe os dados e interesses que pretende partilhar.

O quiosque poderia sugerir contactos relevantes com base em objetivos comuns, setores, desafios ou temas da agenda. Incluiria agenda personalizada, mapa do evento, marcação de encontros, tradução, recursos de acessibilidade e troca de contactos por QR Code ou NFC.

Para a organização, disponibilizaria apenas dados agregados sobre temas e utilização, nunca informação pessoal sem consentimento. E manteria uma opção visível de apoio humano.

14. Qual foi o melhor conselho profissional que recebeu e que continua a aplicar hoje?

“Ouça antes de propor.” É um conselho simples, mas continua a ser muito útil. Em formação, consultoria ou vendas, é fácil chegar com uma solução preparada e tentar encaixá-la no problema. Aprendi que as melhores decisões aparecem quando compreendemos primeiro o contexto, as pessoas envolvidas, as restrições e o resultado que realmente procuram.

Ouvir bem evita trabalho desnecessário, melhora a proposta e, sobretudo, demonstra respeito por quem está do outro lado.

15. Há algum livro que tenha influenciado particularmente a sua forma de pensar ou trabalhar?

Mais do que escolher um único livro que li, destacaria a experiência de escrever o meu primeiro livro sobre LinkedIn, em 2009. Obrigar-me a organizar ideias, testar recomendações e explicar a plataforma de forma compreensível alterou a minha maneira de trabalhar. Percebi que ensinar é uma das formas mais exigentes de aprender! Os livros que escrevi depois acompanharam a própria evolução do LinkedIn e obrigaram-me a rever certezas.

Nunca Almoces Sozinho - Keith Ferrazi

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16. Que competência considera indispensável para qualquer profissional nos próximos cinco anos?

Pensamento crítico. Teremos acesso a mais informação, mais ferramentas e mais respostas automáticas, mas isso não significa que teremos melhores decisões.

17. Se pudesse dar apenas um conselho a quem pretende desenvolver uma marca pessoal forte, qual seria?

Construa a marca a partir do trabalho que quer ver reconhecido.

Defina um território profissional claro [no meu caso Linkedin e agora Literacia em IA], desenvolva competência real nesse domínio e partilhe regularmente aquilo que aprende, faz e observa [todos os dias].

Uma marca pessoal forte nasce da coerência entre experiência, conteúdo e comportamento. A visibilidade ajuda, mas só tem valor quando torna mais fácil às pessoas perceber quem somos, em que podemos ajudar e por que razão devem confiar em nós.

Connecting Stories é um espaço editorial conduzido pela PARTTEAM & OEMKIOSKS que consiste na realização de entrevistas exclusivas, direccionadas a personalidades influentes, que actuam em diferentes sectores de actividade.

O projecto, idealizado pela PARTTEAM & OEMKIOSKS, contempla a publicação de histórias de sucesso, por meio de pequenas entrevistas a influenciadores que queiram compartilhar detalhes sobre os seus projectos, opiniões, planos para o futuro, entre outros assuntos.

A ideia é conectar histórias, partilhar conhecimento, desenvolver networking e gerar conteúdos que possam fornecer novas visões, oportunidades e ideias.

Sobre a PARTTEAM & OEMKIOSKS

Fundada em 2000, a PARTTEAM & OEMKIOSKS é uma empresa portuguesa de TI mundialmente reconhecida, fabricante de quiosques multimédia de interior e exterior, equipamentos self-service, mupis digitais, mesas interactivas e outras soluções digitais, para todos os tipos de sectores e indústrias. Para saber mais acerca da nossa história, clique aqui.

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